Sexta-feira, 7 de Setembro de 2007

II Curso de Formação Político-Profissional em Saúde Mental

I Curso de Formação Político-Profissional em Saúde Mental
“Somos Loucos para confundir os Sábios”
Reginaldo – Centro de Convivência do Barreiro
Então companheirada,
Nos últimos 20 anos, a luta de trabalhadores, familiares e usuários dos serviços de Saúde Mental, possibilitou uma significativa mudança no modelo público de atendimento aos portadores de sofrimento mental. De um passado manicomial em que o cuidado ao louco se fazia através da exclusão, da parede e do silêncio, se constrói um futuro no qual a autonomia, a voz e liberdade são centrais.
A luta antimanicomial, através de sua Reforma Psiquiátrica, caminhou muito nesse período e Belo Horizonte é um exemplo marcante dessa trajetória. Foram construídos sete Centros de Referência em Saúde Mental (CERSAM’s), que respondem pela grande maioria das urgências psiquiátricas da cidade. Junto disso, foram descredenciados pelo SUS, cerca de 300 leitos de hospitais psiquiátricos. Dos 240 leitos para agudos ainda funcionantes na capital mineira, apenas 30% é ocupada por belo-horizontinos, o que quer dizer que numa cidade de 02 milhões e meio de habitantes, apenas 72 de seus cidadãos estão internados, através do SUS, em hospitais psiquiátricos.
Os avanços da Reforma Psiquiátrica são notáveis, mas alguns pontos centrais têm que ser ressaltados: primeiro, ainda temos muito que avançar e a Reforma Psiquiátrica só se efetivará com a extinção completa dos manicômios e com a construção de uma rede substitutiva capaz de cuidar da loucura em liberdade; segundo, a história não é linear, ela tem idas, vindas, voltas e esquinas; e terceiro, o fim do manicômio não está dado. Grupos muito poderosos, que lucraram e ainda lucram muito com essa lógica, não estão dispostos a ceder e farão de tudo para destruir a Reforma. Nossa luta tem que se dar dia após dia, para que a história tenha apenas idas e suas esquinas sejam sempre para a esquerda.
Nós, do Movimento Estudantil e dos movimentos sociais da luta antimanicomial, avaliamos que um dos desafios que estão colocados para a nossa luta é o ensino universitário. A Universidade em geral e a UFMG em particular, tem demonstrado uma total alienação frente ao debate e aos rumos da Reforma Psiquiátrica. Os motivos para isso podem ser vários: burocratismo, morosidade, descompromisso público, compromisso privado... É impressionante como a UFMG, localizada na cidade onde talvez a Reforma esteja mais avançada, simplesmente se nega a discutir o tema!*
Em vista de tudo isso, resolvemos nos mover. Construímos diversas atividades sobre o tema e no início desse ano resolvemos demonstrar concretamente para a Universidade que é possível uma outra forma de ensino em Saúde Mental. Através de nossas entidades representativas (DAAB e DAMAR), e em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMS-BH) e da Escola de Saúde Pública de Minas Gerais (ESP-MG) construímos um estágio na rede substitutiva de Belo Horizonte. Chamado I Curso de Formação Político-Profissional em Saúde Mental , contou com a participação de 20 estudantes dos cursos de Medicina, Enfermagem, Terapia Ocupacional, Psicologia, Letras e Belas Artes, que por 03 meses estagiaram em CERSAM’s e Centros de Convivência e foram subsidiados por aulas teóricas quinzenais ministradas na Faculdade de Medicina da UFMG.
A caminhada continua e esse e-mail vem convidar você, estudante da UFMG e Escola de Serviço Social da PUC Minas, a participar do II Curso de Formação Político-Profissional em Saúde Mental.
Estrutura do Curso, Pré-Requisitos e Inscrição
O Curso se organiza da seguinte forma: 04 horas semanais em algum dos dispositivos da Rede de Saúde Mental de Belo Horizonte (CERSAM, Centro de Convivência ou Equipe de Saúde Mental vinculada à Atenção Primária). O cenário de prática é escolhido pelo próprio estudante, sendo FIXO POR TODO O SEMESTRE. Além da prática, o curso conta com aulas teóricas quinzenais, que ocorrem aos sábados, no Campus Saúde da UFMG, em que são discutidos temas vinculados à clínica, aos princípios e a História da Reforma Psiquiátrica, além de temas vinculados à Saúde Pública em geral.
São pré-requisitos para o curso, a disponibilidade de quatro horas semanais, além das três horas nas manhãs de sábado; ser aluno da UFMG e da Escola de Serviço Social da PUC Minas e PRINCIPALMENTE, ter o compromisso com o curso.
A inscrição se dará pelo e-mail dasspucminas@gmail.com até o dia 11 de setembro. Na inscrição deverá constar os seguintes dados:
  • Nome completo
  • Curso/Período
  • Contatos (fone e e-mail)
  • Motivos que o levaram a buscar o curso
  • Expectativas em relação ao curso
Estaremos entrando em contato através de e-mail para passar informações sobre a entrevista.(dia, local, data, etc)
O resultado da seleção será divulgado no mesmo dia da entrevista e será fixado no Diretório Acadêmico Pe. Agnaldo Leal da Escola de Serviço Social e enviado para o e-mail dos concorrentes 1 vaga.
Contatos
- Ana Maria (Terapia Ocupacional) – 8798-8732
- Pedro (Terapia Ocupacional/DAICB) - 8806-4721
- Jarbas (Enfermagem/DAMAR) - 97488038
- Vinícius (Medicina) - 8727-9191
- Bernardo (Psicologia) - 8723-9426
- Cristiano (Serviço Social – PUC Minas)
Para estudantes de Serviço Social da PUC Minas dasspucminas@gmail.com
Por uma sociedade sem manicômios!
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* Essa realidade também não é distante da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e justamente com essa preocupação os estudantes e o Diretório Acadêmico Pe. Agnaldo Leal da Escola de Serviço Social se aproximou da iniciativa dos companheiros da UFMG para somar força, já que a UFMG ainda não possui graduação em Serviço Social e concordamos de que a luta passa pela soma saberes dos diversos profissionais inseridos na área de saúde mental.
Espaço Saúde – Saúde é Luta!!!